A maioria das mulheres sonha em ser mãe e passa nove meses esperando o tão sonhado filho. No entanto, durante a gestação, muitas precisam escolher entre fazer parto normal ou cesárea e é nessas horas que alguns médicos influenciam a tomada da decisão. Por isso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI) estão desenvolvendo o Projeto Parto Adequado.

Com o apoio do Ministério da Saúde, a iniciativa tem o objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto normal na saúde suplementar. O projeto busca qualificar os serviços de assistência no pré-parto, parto e pós-parto, favorecendo a redução de cesáreas desnecessárias e de possíveis eventos adversos decorrentes de um parto mal assistido, seja normal, seja cesariano, diminuindo, assim, riscos desnecessários para mães e bebês.

A cesárea, cirurgia de médio porte, é recomendada em casos de complicações reais para a mulher e para o bebê, e necessita, portanto, de indicação médica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice aceitável de cesarianas fica em torno de 15%. Atualmente, no Brasil, o percentual de partos cesáreos chega a 84% na saúde suplementar. A cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.

Os planos de saúde também contribuirão para reduzir as cesáreas. Agora, eles terão que divulgar os percentuais de cirurgias cesarianas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico sempre que for solicitado. Além disso, os planos de saúde serão obrigados a fornecer a Carta de Informação à Gestante e o Cartão da Gestante, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal, e exigir que os obstetras utilizem o Partograma, documento gráfico onde é registrado tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

Aproximadamente 40 hospitais e maternidades privadas de todo o Brasil fizeram inscrição para participar do projeto-piloto. Serão trabalhados três modelos distintos de atendimento à parturiente: o parto realizado por uma equipe de plantonistas, por enfermeiras obstetras e por uma equipe de médicos que se revezam no atendimento à grávida durante o pré-natal. O hospital que participar poderá escolher, entre esses modelos, aquele que melhor se adapta à sua realidade e também propor outras estratégias a serem testadas.

 

 

Fonte: Blog da Saúde